Um blog pessoal para compartilhar ideias com amigos e familiares. Todos os posts de autoria exclusiva do autor, e eventuais citações de terceiros com nomes dos respectivos autores e/ou textos destes em destaque. PauloCCSaraceni

VANDA, E UM TÍTULO LONGO - O SONHO PREMONITÓRIO DA FELICIDADE.

Havia muita conversa em torno da mesa.
Também conversávamos.
Olhei por sobre o seu ombro, defronte de mim e vi.
Vinham na nossa direção.
Dois sóis, menino e menina.
Não havia música, só o ruído das conversas, de um bar café com cadeiras na calçada.
Poderia ter havido talvez um trompete lânguido, solo, em meio ao silêncio.
Mas havia a música da tua voz.
E um perfume de todas as flores, lisérgicas.
Levantei, peguei-a nos braços.
Despertei para outro sonho, agora a vida.
Com você sempre meu lado.
E me destes então aquelas estrelas.
E 28 anos de amor, sempre única, definitiva.
E eu nem deixei gorjeta antes de acordar para a felicidade...

Feliz aniversário de casamento, meu eterno amor.

O ÚLTIMO PEDIDO DE SÓCRATES

O último pedido de Sócrates, na iminência de ingerir o veneno que lhe fora imposto em veredicto, foi para que o seu leal amigo Críton pagasse o galo, sim o galináceo, que devia a Esculápio.
Não queria manchar o legado de sua honra se despedindo da vida como devedor, nem causar dano a ninguém.
Nem à crença e à Lei dos que o condenavam.
Recusou-se a fugir da sentença iníqua a que fora condenado porque acreditava que não se devolvia o mal, mesmo advindo de uma lei injusta.
Na verdade, julgava que despedir-se da vida era uma cura, já que a vida lhe impusera a consciência de tantas iniquidades, e por uma destas acabara condenado a morte, por afrontar o politeísmo. Então, despejou sua ironia à beira da morte, que era seu método peculiar de confrontar ideias, ao recomendar o sacrifício de um galo ao deus Esculápio.
Para Sócrates, o desejável era que o homem fosse virtuoso, honesto e justo por natureza e, enquanto não revelasse  estas virtudes, que as regras sociais fizessem despertá-las em si, de forma sábia, racional, serena e inequívoca - inteligência, razão e virtude guardariam uma sinonímia.
Reconhecia que justo é aquilo que além de se conformar às leis, à norma jurídica, exprime o sentimento ético de Justiça, fruto da consciência.
E o Direito não pode se afastar desta fórmula, sob pena de perder legitimidade, vigor e respeito.
Por isto se diz que o Direito é dinâmico, se transforma à medida que a cultura da sociedade exige, e busca conformar as normas de conduta aos seus valores.
O atavismo jurídico, a inércia legislativa que procrastina, retarda a atualização do ordenamento jurídico, num lento e reacionário processo a reboque das transformações sociais, é mais que um vício, é ofensa à ética, ao cidadão, às instituições sociais, ao Estado, à Lei e à própria Justiça.
Entre nós, as reformas do Código Civil e o de Processo se arrastaram por quase um quarto de século, e outras leis envelhecidas e superadas pela realidade aguardam a produção das casas legislativas.
Não se deseja uma reforma precipitada, que atropele o necessário debate e estudo profundo da matéria, especialmente no caso dos textos dos referidos códigos, centrais no ordenamento jurídico.
Mas o salto tecnológico que os tempos atuais impuseram à realidade social, com inovações que avultam instantaneamente a complexidade das relações jurídicas, não pode manter um processo legislativo plantado em uma tradição burocrática que atrasa em incorporar agilidade, efetividade e eficácia.
Veja o novo projeto de Código Florestal, em longa discussão e refém de ambientalistas que insistem em criminalizar o produtor rural, mas que, simultaneamente desejam um campo produzindo alimentos a baixo custo para suas mesas.
Muitos destes ativistas, que desconhecem a realidade do pequeno produtor, responsável majoritário na produção dos gêneros que alimentam o brasileiro, defendem uma política que a par de não ser eficiente na preservação dos recursos naturais, desestimula a atividade produtiva e onera gravemente quem já enfrenta uma precária estrutura e logística nacional que retiram a competitividade dos nossos produtos, mormente no mercado internacional.
A famigerada reserva legal é uma panaceia, que imposta às pequenas propriedades vai acabar por extingui-las — a um custo insuportável ao agricultor familiar, uma ideia equivocada que não contém qualquer eficácia como medida preservacionista, e sequer foi este o objetivo na sua criação. A propósito o nosso post datado de 17/10/2010, sob o título "PRODUZIR NÃO É ANTÍTESE DE PRESERVAR“, demonstra isto.

E, reafirmando o que ali expressamos, a preservação dos nossos recursos naturais é de vital importância, não apenas para o país mas para toda a humanidade, e só se dará com políticas e ações efetivas.
A Lei não pode estar a serviço de uma ideia estéril, de uma ideologia irresoluta, senão da Verdade e da Justiça.

Em tempo, Sócrates foi condenado por produzir filosofia, por não se curvar à crença, às ideias tradicionais, atávicas, de uma Grécia politeísta.

DIFERENTE DO QUE O PALHAÇO DISSE, PIOR QUE ESTÁ FICA.

Com algumas ditaduras caindo mundo afora, e outras sob pressão popular para abrir espaço para democracia, a liberdade abraça o planeta.
Que o absolutismo dos destronados não dê lugar a outros, ou a qualquer forma de governo que não se constitua na consulta direta e permanente ao povo, a democracia.
Aí sim poderemos comemorar.
O voto, a consulta popular, embora não seja a resposta para todos os problemas, é o único caminho para a emancipação dos povos, e garantia de dignidade humana e demais direitos individuais, próprios dos Estados onde soberanas são as Leis.
O voto, mais que um direito, uma responsabilidade na escolha dos legítimos representantes da cidadania, só se aperfeiçoa pelo exercício pleno, consciente e continuado.
Haja vista a qualidade e as ações de alguns dos nossos representantes no poder, temos um caminho longo no desenvolvimento desta prática.
E já que o STF invalidou a Lei chamada Ficha Limpa para as últimas eleições, e não temos garantia que ela se aplicará integralmente sequer para os próximos sufrágios, então o veto aos “fichas sujas” tem que vir das mãos, da consciência do cidadão.
E mesmo esta decisão judicial, colegiada, é emblemática da importância de cada voto na democracia, vez que o veredicto se deu com a maioria de um, num colégio eleitoral de 11.
E lembre-se, diferente do que o palhaço disse, pior que está, fica.


ESTRADAS BRASILEIRAS, UMA VIAGEM COM O PERIGO

Você que durante as suas férias, ou mesmo num feriado, pensou em pegar seu automóvel e sair com a família para um passeio, para uma viagem em família, rumo a alguns dos maravilhosos destinos turísticos deste nosso imenso país, certamente já se viu desencorajado em face das condições de nossas estradas.
IPI, ICMS, IPVA, Seguro Obrigatório, Licenciamento e taxas de pedágios, são os tributos que você paga como proprietário de um automóvel, e estas receitas não se mostram suficientes para o Estado te oferecer a mínima segurança nas estradas.
A farra fiscal em nosso país começa na tungada exorbitante nos bolsos do contribuinte e termina na má gestão e aplicação das receitas.
E os custos indiretos deste descaso são tão, ou mais onerosos quanto os que você recolhe como usuário do seu veículo.
Afinal, grande parte do transporte de bens e valores no nosso país ainda é feito por essas mesmas estradas, e mesmo pelos custos impostos (redundância implícita perfeita) ou por conta do potencial risco que oferecem, acabam elevando os preços dos produtos que você também consome.
E esta fome continuará, e só aumentará a nossa conta, vez que a insuficiência não é de recursos, mas de eficiência, que também rima com incompetência.

DECIFRA-ME OU DEVORO-TE, CIDADÃO.

O que justifica um país tropical, que teve há mais de 500 anos o seu descobrimento, e que se coloca entre as 20 maiores potências mundiais, produzir um reiterado sofrimento à nação com as previsíveis chuvas de estação?
Que a todo ano abrem buracos em nossas estradas e ruas,
Que inundam as cidades,
Que levam pontes,
Que soterram lares,
Que espalham prejuízo,
Que afogam pessoas,
Que desabrigam e roubam vidas?
E, que terminado o verão, nos impõe um repetitivo canteiro de obras,
De recuperação,
De reconstrução,
De uma interminável erosão,
E o dilúvio se repete e sempre aumenta, inclusive as tragédias, as taxas e os impostos.
E envelhecem as esperanças.
Existem nos céus muito mais do que as naturais e seculares nuvens, presentes desde a gênese do universo, para explicar esta tragédia recorrente.
Mais do que os modernos aviões de carreira.
Ou os generosos jatos de algumas ricas empreiteiras, caroneiras.
A resposta talvez sopre no vento, como já disse Dylan.
E os ventos são etéreos.
Como o pensamento.
Como o sofrimento.
Que não sobrevive até o novo tormento.
E cairá no esquecimento, e se fará desalento,
Justo no infeliz momento do advento das próximas eleições.

Em tempo: Verdadeira tragédia natural foi o que ocorreu com o Japão por estes dias, um terremoto surpreendente com as consequentes tsunamis, de enorme proporção, imprevisível como evento bissexto, mas que produziria muito mais danos humanos e materiais não fosse o prudente e responsável investimento do país em prevenção de sinistros.

UMA TRIBUNA PODEROSA

Dias destes recebi um e-mail com um link (com a licença do inevitável anglicismo) para um vídeo publicado no site (de novo) You Tube.
Uma narrativa simples, direta e indignada em que um consumidor tornava pública a sua revolta e frustração com a compra de uma geladeira, que apresentando um grave defeito, o obrigara a uma verdadeira odisseia na tentativa de sua reparação junto à fábrica, até então sem êxito.
A forma inusitada do protesto, inédita para mim, revela o poder de comunicação que a internet oferece, e no caso de utilidade inquestionável.
Creio que a instância judicial é o caminho mais efetivo nestes casos, via a que o referido cidadão já anuncia que pretende recorrer, mas o seu protesto público não deixa de ser legítimo, e em uma tribuna que pela repercussão e praticidade oferece uma nova utilidade a esta ferramenta que cada vez mais se torna indispensável em nossas vidas.
A rapidez e o alcance da web (anglicismo incontornável em assuntos de informática) são surpreendentes, em poucas horas o vídeo registrava centenas de milhares de visitas, que só aumentavam, inclusive com inúmeras manifestações de solidariedade.
Apesar de o país possuir uma legislação avançada na proteção ao consumidor, o desrespeito que muitas empresas despendem aos seus clientes, especialmente no pós-venda, parece longe de ter um fim. Muitos dos tais SACs (serviços de atendimento aos clientes), grande parte terceirizados, se constituem em verdadeiras arapucas protelatórias, um teste interminável para a paciência do pobre consumidor prejudicado. Um serviço criado para atender a clientela, e que hoje é reconhecido como fonte inesgotável de stress e insatisfação do consumidor, um verdadeiro terror.

Confira o vídeo:


PELA SOBERANIA, DA JUSTIÇA.

O Brasil vive às voltas com a impunidade.
A violência estereotipou nossa imagem internacional, sendo que o nosso mais conhecido "cartão postal" é protagonista de uma verdadeira guerra civil sem fim, com componentes trágicos que mesclam tráfico de drogas, assassinatos, confronto armado entre quadrilhas rivais, balas perdidas, corrupção e tantos subprodutos da violência que conseguem ofuscar uma das mais reconhecidas belezas naturais do planeta.
E em meio isto tudo, vimos a nossa maior corte de Justiça em permanente distensão com o executivo durante boa parte do ano, este empenhado, via Ministério da Justiça, na defesa da não-extradição de um criminoso condenado por uma Justiça livre e independente, de um país Democrático com quem mantemos relações étnicas e culturais históricas, chamado berço do Direito e das mais consagradas instituições jurídicas.
Qual a razão de Estado para tanta energia, tempo, e mobilização da República, envolvendo a maior corte de justiça do país, em torno de um criminoso que é condenado e procurado pela morte de quatro pessoas em seu país de origem, e que é considerado criminoso comum pela Corte Europeia de Direitos Humanos, e pelo Conselho Nacional de Refugiados, órgão nacional que cuida da legitimação de concessão de abrigo a reais refugiados políticos?
Será que o país não sofre o suficiente com a endêmica e crônica impunidade que mancha não apenas o nosso conceito internacional, mas o nosso solo com o sangue de tantos inocentes, temos que exportá-la e impor sua indignidade a outras nações?
Num país em que boa parte das pessoas não cultiva o hábito da leitura, da informação, e que apenas assistem ao julgamento dos fatos ao sabor das mais variadas versões dos que tem algum acesso à grande mídia, os incautos cidadãos as compram, e muitos se rendem a essas e as assumem como verdades definitivas, renunciando à reflexão e à análise criteriosa e objetiva. Alienação fundada muitas vezes na pura desinformação, na preguiça intelectual ou no cego reacionarismo político.
Cesare Battisti é um criminoso, um pluriassassino comum, julgou, e bem, uma Justiça independente, dentro de um Estado Democrático de Direito que, exibe em suas tradições a própria história da origem das mais celebradas e consagradas instituições jurídicas, e do próprio Direito.
Sonegar a sua punição é uma afronta a um país irmão com quem mantemos seculares laços étnicos e culturais, à Justiça, à memória das vítimas, aos seus familiares que afora a dor da ausência, fruto da brutal e injustificada violência sofrida, vivem em testemunho da impunidade e, mesmo, da absurda jactância e celebração dos seus algozes.
Ademais o processo de extradição e o seu consequente julgamento é essencialmente judicial, conforme norma de imperatividade absoluta e hierarquia superior a todo ordenamento jurídico:
Constituição da República Federativa do Brasil


Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente (grifamos), a guarda da Constituição, cabendo-lhe:


l - processar e julgar, originariamente:
....................................................
g) a extradição solicitada por Estado estrangeiro;

A supremacia da Justiça e da Constituição são (para não redundar com a expressão constituem) o fundamento do Estado Democrático de Direito.
Senhor Presidente, nesse seu último ato de governo o Senhor poderia ter sido generoso e oferecido um exemplo ao mundo contra a impunidade, em favor de todas as vítimas da violência, e ter olhado para as mães de pranto eterno que tiveram seus filhos arrancados de si, pelos órfãos que ainda padecem com a ausência de seus pais, pelas viúvas que viram destruídas suas famílias, vítimas do crime, da barbárie, esta que desconhece fronteiras e nações, e deixa a amarga e permanente herança da mais intensa dor e indignidade nos corações de quem sobrevive a esta cruel e injusta imolação.
Senhor Presidente, esse empenho por questões individuais e humanas seria muito bem-vindo, de ilegitimidade incontestável, viesse em favor da mulher iraniana às portas da morte sob apedrejamento, condenada por um Estado arcaico, despótico e truculento, ou mesmo, a favor dos boxeadores cubanos que aqui pediram asilo, perseguidos por uma longeva ditadura que mantém presos políticos e muitos exilados pelo mundo.
Senhor Presidente, poderia na sua despedida ter reafirmado o compromisso do país contra a impunidade e com a soberania da Justiça e dos valores democráticos.
Foi uma melancólica despedida de governo.

PRODUZIR NÃO É ANTÍTESE DE PRESERVAR.

Produzir em nosso país é um trabalho de Hércules.
O produtor rural não apenas tem de enfrentar os altos custos, a dificuldade de escoamento dos produtos, o baixo preço, a burocracia fiscal e a falta de armazenamento.
Tem também de superar uma legislação que, a pretexto de proteger o meio ambiente, impõe obrigações que oneram e comprometem a viabilidade econômica de sua propriedade.
Por exemplo, a exigência de uma reserva legal, intocável, de no mínimo 20% sobre a área de todo imóvel, a par de não garantir, na realidade, a manutenção de uma mata natural nativa e sua consequente preservação, onera o produtor de forma a subtrair de sua atividade não o lucro, mas muitas vezes a sua própria subsistência, especialmente do pequeno proprietário.
Se pretender conformar nestas ilhas de preservação, muitas delas diminutas e sem reunir os elementos naturais indispensáveis, um manancial natural de espécimes animais e vegetais é um disparate que não resiste ao mais singelo estudo biológico.
Simplesmente porque em muitas destas pequenas áreas, segmentadas, é impossível se reunir todo o universo biológico, mesmo com as peculiaridades regionais, que garanta o equilíbrio e a diversidade ecológica própria para a sobrevivência dos espécimes vegetais e animais. Não apenas por sua extensão limitada, mas por absoluta falta de estudo e planejamento que garanta a reunião e consolidação de um ecossistema próprio, autóctone, permanente.
Então se convive com uma ficção, um faz de conta com aquelas propriedades que ainda mantém um pedaço de mata e,  em raros casos que alguns poucos espécimes ali restaram, fadados ao desaparecimento porque são diminutos grupos isolados, indivíduos confinados e fora do universo e da cadeia alimentar que lhes garantiriam a subsistência e reprodução, se prestando a uma falsa ideia de preservação.
Mesmo porque o desequilibro de espécimes, em número e diversidade, cooptados nessa restrita área, sem qualquer controle, acaba por impor-lhes o flagelo lento da morte e do desaparecimento, muitos inclusive durante a tentativa de fuga desta ilha de confinamento.
Existem estudos conclusivos de Engenharia Ambiental,  de que estas ditas reservas têm servido à proliferação e manutenção de insetos e pragas, que comprometem a produtividade e aumentam a reinfecção nas áreas contíguas tratadas. Até mesmo a erradicação da febre aftosa encontraria dificuldades especiais em nosso país em face da existência dessas áreas abandonadas à própria degradação.
Essa exigência vem originalmente da legislação da década de 60, no chamado código florestal, e pretendia apenas a garantia de manutenção de uma reserva industrial de madeiras em face do uso crescente do solo em propriedades rurais antes ocupadas com florestas nativas. E isto se conforma com a nossa realidade atual?
Hoje o país possui o Programa Nacional de Florestas (PNF), o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), com diversos programas e instrumentos legais e vem implementando políticas que garantem o fornecimento de madeira industrial, plantadas e nativas, e nos colocam como campeões mundiais de produtividade florestal. E o primeiro também em áreas e unidades de conservação.
Essa restrição ainda presente entre nós inexiste na totalidade dos grandes países produtores. Parece-me graças ao atavismo e inércia jurídica do que por obra da implementação de uma política preservacionista. Isto acaba por comprometer a própria competitividade do país no âmbito internacional.
Os nossos produtores, que já não contam com condições e estímulo oferecidos aos seus principais concorrentes nas principais economias, ainda enfrentam este ônus exclusivo no mercado global. E aqui eles vivem acuados pela Lei, embora desmoralizada porque na prática essa chamada reserva já não exista em grande parte das propriedades, e existindo não garanta qualquer preservação ou recuperação para fins ambientais.
Uma política séria de preservação leva em conta um amplo e minucioso estudo biológico, com planejamento e estrutura adequada, conformada em vastas áreas de reservas de domínio do poder público e sob sua fiscalização e manutenção, onde se garanta a permanência das condições nativas específicas, com sistema intacto nas suas peculiaridades e idiossincrasias, com todas as propriedades  do universo da fauna e flora locais. Amplas áreas permanentes, intocáveis, que efetivamente permitiriam a sobrevivência de todas as espécies naturais, e o abrigo efetivo da nossa rica fauna e flora.
Um bom exemplo disso são os chamados Parques Florestais, como o mantido pelo governo paulista na Serra do Mar, que garante a manutenção e conservação da maior extensão de mata atlântica no país.
Preservar nossas riquezas naturais, nossos animais e florestas, é de fundamental importância, vital para o país e para toda a humanidade, mas de forma efetiva.
E o país precisa produzir para preservar. Inclusive em políticas públicas comprometidas, em estratégias e logísticas eficientes para tanto.

MONÓLOGO INTERIOR

Poucos dias para uma ilusão, dia 3 é apenas um dia.
Ficção de que podemos, mortais eleitores, intervir.
Apostava que sim.
Democracia.
Nada é como sonhamos. Vou continuar tentando.
Horário gratuito. Que combinação de palavras.
Tem sentido.

SÓ OS QUE AMAM ENTENDEM.

Estar no estádio, com 50 mil outras pessoas, gritando o nome do mesmo time, vendo aquelas cores, aquele ruído, aquela luz, aquela emoção que só o futebol tem, é uma destas sensações únicas.
O Morumbi estava lotado, tinha uma névoa fina, uma fumaça que confundia e condensava um pouco a intensa luz dos holofotes. Estava lá eu e meu filho e no campo o nosso São Paulo.
Fazia um pouco de frio mas o estádio parecia um vulcão de gente, e entrou em erupção junto com a entrada do time.
Primeiro o Rogério Ceni, o goleiro correndo, e seguido pelos demais jogadores, desde o túnel até o centro do campo, diferente das outras vezes.
Ganhamos e perdemos, porque a vitória de 1 X 0 não foi suficiente para irmos à final da Libertadores.
Mas foi uma vitória de uma paixão, que compartilho com meu filho, nascida desde que chutei a primeira bola de capotão, nos campos de terrão no interior de São Paulo.
Lá naquele Morumbi, onde vi Pedro Rocha numa improvável vitória contra o Santos de Pelé, onde vi Pablo Forlan, Terto e tantos outros com a camisa tricolor, uns de fino trato com a bola e outros com a raça do boleiro, eu retornava para ver uma nova geração ao vivo, contemporânea do meu filho.
Impossível não se emocionar, e não gostar de toda aquela festa.
Só os que amam o futebol entendem.

SAMBA DO BIXIGA

Ninguém cantou São Paulo como Adoniran Barbosa, aliás, João Rubinato era o verdadeiro nome deste paulista de Valinhos, filho de italiano que adotou a cidade de São Paulo como seu domicílio definitivo.
Se vivo fosse faria 100 anos neste último 06 de agosto, e foi justamente homenageado pela cidade com a qual se identificou como ninguém.
Todos os jornais, por estes dias, falavam de suas músicas, do seu estilo inconfundível de caipira da metrópole.
O sotaque macarrônico que imprimiu aos seus sambas virou marca registrada, e acentuando propositadamente os erros de português criou frases imortais como “Se o sinhô num tá lembrado dá licença de contá”.
Boêmio, rodava pela noite de Sampa onde, nas suas palavras, se sentia como “A lâmpida e as mulheres são as mariposa”.
E buscando sempre uma boa noitada reclamou uma vez assim: “O Arnesto nos convidou prum samba ele mora nu Brás, nóis fumos e não encontremo ninguém”.
Imortalizou um trem e uma singela estação de subúrbio na sua poesia ingênua.
Fez todo mundo cantar como miseráveis, perdidos na grande cidade, e despejados de um velho cortiço, mas celebrando uma amizade solidária, incondicional.
Ator, humorista consagrado dos famosos programas de rádio da época, com auditório e orquestra, jamais abandonava o terno, o chapéu meio surrado e a gravata borboleta.
São Paulo teve seu Carlitos.

TENTANDO BLOGAR NOVAMENTE.

Nada de novo no front.
Vou tentar ter mais tempo para escrever no blog, um prazer que desejo retomar.
Abri as asas e estive em Sampa este fim de semana, fui ao Bixiga, revi as cantinas e trattorias que são a festa do paladar de todo descendente de italiano(dove si mangia bene e si parla molto, e con la mani).
Eu e meu filho comemos uma perna de cabrito com brócolis, acompanhada por um Montepulciano d'Abruzzo, sob a trilha sonora da boa música napolitana.
Na 13 de Maio corria a festa de Nossa Senhora de Achiropita, muita gente pelas ruas, muita pasta e calabresa feita pelas mãos generosas das mamas que se empenham em um trabalho voluntário e social.
Fazia frio, pouco, mas o suficiente para degustar um tinto da região dos meus ascendentes.
São Paulo é rica em tudo, em oportunidades, em diversidade, em cultura, e a paisagem urbana é um mosaico exclusivo, do centro velho ao novo, dos velhos casarões e sobrados às imensas avenidas com prédios modernos.
É única, e mesmo com tantos problemas, é sedutora.

UM JULGAMENTO SUPREMO

O Supremo Tribunal Federal, em julgamento histórico no dia 29/05/2008, julgou improcedente a ação que pretendia declarar a inconstitucionalidade do art. 5º da Lei de Biossegurança.
Por maioria, e acompanhando o relator, ministro Carlos Ayres Britto, os (as) ministros(as) Ellen Gracie, Carmen Lúcia Antunes Rocha, Joaquim Barbosa, Marco Aurélio e Celso de Mello, rejeitaram a referida ação e autorizaram, na forma da referida Lei, a realização das pesquisas científicas com células-tronco embrionárias.
Um Dia Supremo.
Uma suprema esperança para muitos e, principalmente, um progresso e um avanço para todos.
Nenhum milagre vai acontecer da noite para o dia, provavelmente os resultados virão depois de um bom tempo, mas as pesquisas com células-tronco embrionárias abrirão novas possibilidades para a ciência médica.
E assim tem sido desde os primórdios da medicina, os passos de uma nova abordagem terapêutica surgem ousados, polêmicos, às vezes incompreendidos e muitas vezes contestados, mas a ciência cumpre descobrir, inovar, em busca do progresso humano, e nesta trilha certamente vai encontrar conceitos arraigados, e o temor natural do homem em face da novidade técnica, e suas consequências.
Desde a primeira transfusão sanguínea até as recentes técnicas de transplante de órgãos, a medicina realiza o roteiro que se reproduz a cada novo avanço, o temor inicial acaba, aos poucos, sendo substituído pela certeza do benefício inestimável que estas novas descobertas da ciência médica acabam por incorporar à qualidade de vida do ser humano.
E cumprindo este desígnio, ela jamais se afastou da ética ou do respeito à vida, antes, incorporou conhecimento e evolução à humanidade, e maior dignidade no supremo ato de viver.
Por esta razão a nossa inspirada Constituição consagrou, entre outros, o princípio da dignidade humana, a par de garantir o progresso das ciências como resultado do trabalho incessante, reconhecido e estimulado, da plena pesquisa.
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
        Titulo I         Dos Princípios Fundamentais          
Art. 1º. A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos:
 ..........................          
           III- A dignidade da pessoa humana;
            ..........................
          
           Titulo VIII         Da Ordem Social           
           ..........................    
           Capítulo IV      Da Ciência e Tecnologia          
Art. 218. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas.          
§ 1º A pesquisa científica básica receberá tratamento prioritário do Estado, tendo em vista o bem público e o progresso das ciências.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Um dia é nada na vida de um homem, sem a mulher.
Eu tenho três que estão presentes todos os dias, todas as horas e minutos na minha vida.
Uma, mesmo à distância, é a origem e o fundamento de tudo, e sua lembrança está presente já nos primeiros passos da manhã, no primeiro alimento da jornada diária, nos cuidados pessoais mais simples como calçar um sapato, vestir a roupa, pentear o cabelo, escovar os dentes e em tantas outras pequenas grandes lições que nos preparou para o nosso cotidiano de adulto.
Não bastasse o seu generoso amor em ter plantado a nossa existência, ela persiste em tudo que estamos, que vamos e que fomos, porque é a criação de tudo que somos.
Outra, é a companhia permanente, a aliada incondicional de nossos sonhos, a namorada dos nossos dias, amante das nossas noites, a cúmplice definitiva dos nossos mais caros sentimentos, porque é a rosa, a poesia, a prosa e todo o inefável amor de nossa jornada.
E tenho ainda a angelical mulher, fruto do mais pleno amor, que não sendo mais criança meus braços se ressentem em já não acalentar, e meus olhos não se cansam de admirar, com a vigília obsessiva do artista à sua bela e amada criação.
Minhas três mulheres, meus três amores.
Todos os dias são 8 de março na minha vida.

FELIZ ANIVERSÁRIO

A data de hoje sempre foi importante.
Agora, se tornou mais ainda.
Porque é uma data de pura lembrança, de boa lembrança.
Quando você estava por aqui não passávamos em branco, juntos fazíamos nossos brindes, ouvíamos uma boa música, inevitavelmente alguns daqueles tangos imortais de Gardel, ou algum grande sucesso de Orlando, Nelson ou Altemar, trilha sonora da sua juventude.
Nesta data trocávamos um rápido abraço, e hoje eu lembro como era raro, fora desta data, a gente fazer isto, embora desejássemos muito.
Fomos forjados com o dogma de que homem não expressa afeto com os gestos, mesmo entre pai e filho. Então substituíamos isto com o breve olhar, com a solidária companhia de dois grandes amigos, emocionados.
Emoção que insistíamos, ou pelo menos tentávamos, esconder um do outro.
Mas hoje não vou me envergonhar desta emoção, e na certeza da sua presença faço o meu brinde a você, com um abraço apertado em todos que são a sua herança viva por aqui, a minha, a nossa família.
Feliz aniversário meu pai.